quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Carta à alma que sofre
Sabedoria é a palavra que faz toda essa diferença. É a sabedoria que muda o percurso e o resultado de cada situação, transforma até mesmo um sentimento. Mais do que inteligência, a sabedoria envolve mais Espírito Santo e Evangelho do que livros e simplesmente estudo.
A sabedoria nasce do temor a Deus (Eclo 1, 12; Sl 111, 10), essa é a sua raiz, diz a Palavra. E o temor a Deus, bem diferente do medo, é como um grande respeito, ao máximo que pudermos levar esse sentimento, pois dentro do respeito reside o amor. Temor de Deus é amá-Lo a tal ponto que nosso maior desejo é obedecê-lo, em consequência desse amor.
A Bíblia nos diz claramente, no mesmo livro e capítulo (Eclo, 1, 21), a "fórmula": "Se você deseja a sabedoria, observe os mandamentos, e o Senhor a concederá para você." Há instrução mais clara?
Quão sábio é aquele que segue os preceitos do Senhor, porque é seguir o "manual" que veio de fábrica para viver bem! Parece engraçado, mas se Deus nos criou, Ele sabe o melhor pra nós, e deixou tudo isso escrito na Bíblia! Óbvio, mas teimamos em fazer de acordo com o que queremos....
Nos perdemos numa outra grande falta de sabedoria: supor que não devemos sofrer, se seguimos a Cristo e o amamos. Mas onde na Palavra nos foi prometido que nesta terra estaríamos livres de todo o sofrimento? Muito pelo contrário: "No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci o mundo." (Jo 16, 33)
Muitas são as promessas para o Reino do Céu e a salvação eterna, que se concretizam em nossa vida e no Evangelho ao crermos na vinda gloriosa de Jesus e, antes disso, que Ele é filho de Deus e nosso Redentor. Nos fazemos de desentendidos quando recordamos palavras como "Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim." (Mt 10, 18).
O que quero dizer, com tudo isso, é que não adianta ficar chateado com a vida. Quando deu errado aquilo que você queria tanto, quando você sofre com a morte de alguém, alguma doença, alguma pressão, qualquer coisa que te tire daquele estado de "tranquilidade", não adianta sentir pena de si mesmo, se revoltar com Deus e cobrar todas as horas gastas em capelas, missas e retiros. Não adianta sentir toda a injustiça desse mundo, porque é injusto mesmo! Tudo que sofremos aqui é consequência de nós mesmos, seja diretamente ou indiretamente através dos outros. E nisto reside a injustiça da vida: você sofre consequências de coisas que não cometeu, e outras pessoas recebem os resultados da sua conduta. Se todos seguissem o "manual de instruções" de Deus, a Bíblia, viveríamos muito bem, ainda no Jardim do Éden, com certeza... mas um pecou, e todos caímos na falta de graça.
E agora? Agora a gente pára de pensar que a culpa é de Deus e que deveríamos estar imunes às mazelas do mundo, porque somos invencíveis quando vamos à missa e rezamos todo dia... Agora a gente bate o pé e resiste, vai até o fim no seguimento desse Caminho, apesar de tudo que podemos sofrer!
E pára de ficar tendo pena de si mesmo, encara que nós cristãos somos perseguidos simplesmente porque somos cristãos, mas que tudo vale a pena quando olhamos para nossa recompensa, que é o céu!
Aprendi a duras penas... chega de ficar "de mal" com Deus!
"Mas aquele que perseverar até o fim, será salvo." (Mt 10, 22)
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domingo, 15 de maio de 2011
Vale a pena!
Quando fui ao 5º pediatra, ele me deu um bom apoio psicológico, dando exemplos de crianças que ele atendeu e que estavam gravemente doentes, ao contrário de Miguel, que é saudável - as cólicas são uma coisa bastante comum, atingindo 70% dos recém nascidos até os 3 meses. Eu já tentava pensar nisso, mas com os exemplos ficou mais real... apesar de eu não querer me apoiar na desgraça alheia; isso não é fé!
Porque, em meio a uma criança que chora muito, quase o dia inteiro em alguns dias, muito forte, perde a voz e o fôlego; e com o cansaço, a gente acaba se perguntando: "porque comigo?". É que aparecem as histórias das crianças que não tem nada - da vizinha, da secretária da vó, da irmã da tia -, e apesar das muitas histórias das crianças que tiveram muito (um funcionário de supermercado, quando viu nosso filho, perguntou logo se ele tinha cólica, e falou aliviado por já ter passado disso, que é muito difícil), as primeiras sobressaem. E a gente se pergunta porque não teve a sorte de ficar livre também...
Desespero, choro junto, ansiedade, ganho de quilos novamente de tanto comer de estresse. Sensação de estar presa em casa, um desnorteamento horrível - nem rezar se consegue direito.
Mas quando a gente vai a um extremo, como já fui em alguns outros momentos da minha vida, e continua clamando por Deus, chega uma hora que as coisas começam a fazer sentido. Logo eu que pareço filósofa, quero ir ao fundo dos "porquês": outro dia refletia sobre o porque de a maioria das pessoas querer muito ter filhos, no caso, nós mesmos; eu encontrei esse sentido.Que eu já havia esquecido, dos meus outros sofrimentos.
Esqueci que quando vou aonde não consigo mais, além dos meus limites, depois que eu grito, que eu choro, que tento tudo ao meu alcance, eu meio que desisto de tudo, e aí Deus age. Caio quase sempre no mesmo erro, o de pensar que posso, sozinha, "consertar" as coisas. Paulo diz que "quando sou fraco, então é que sou forte" (2 Cor 12, 10) porque na nossa fraqueza é que Deus age. Se nos sentimos fortes, acabamos por fechar nosso coração para Ele.
E hoje, quando decidimos ir para a missa mesmo em cima da hora (o neném atrasa todo o nosso planejamento) e com ele chorando de cólica, confiando na providência divina, o Senhor foi à nossa frente. Ficamos num lugar fora da assembléia, mas que tinhamos visão total do altar e áudio bom. E o neném chorou várias vezes, mas acho que não atrapalhou muito.
Temos que fazer esse esforço. Contra nossa comodidade, e até a do nosso filho também, ir ao encontro de Deus. É isso que nos alimenta!
Comunguei com ele no colo, e o canto de comunhão falava do Bom Pastor, que o Evangelho narrou. Uma música do começo da minha caminhada, quando sofria por outras coisas. Me emocionou, e percebi o sentido. Eis a letra:
BOM PASTOR - Missionário Shalom
Sei Que É Misericórdia Teu Amor Por Mim
Porque Sou Tão Fraco Para, Então, Seguir
Não, Não Tenho Nada Em Minhas Mãos
Como Um Cego Nas Estrada, Nada De Valor Para Te Dar.
Me Leva Em Teus Braços, Meu Bom Pastor
Foi O Meu Cansaço Que Te Atraiu A Mim
Tantas Feridas, Tantas Fraquezas
Que Me Levam A Depender Do Teu Amor.
Foram as minhas feridas, minhas misérias, que me levaram no mais profundo da minha espiritualidade. Vale a pena sim, passar por isso, para retomar nosso amor primeiro; estávamos mornos na fé, desanimados. Agora sim, consigo dar graças a Deus mesmo na luta, como Paulo e Silas na prisão, e a esperar, porque com 3 meses isso passa! Ter certeza que o Senhor é misericórdia... e olha por nós!
Olha pro teu sofrimento e percebe que ele te leva além! Todos as nossas mazelas nos trouxeram alguma recompensa, só precisamos enxergar!
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domingo, 10 de abril de 2011
João Miguel vai crescendo
Quando ele acorda, ou quando o carregamos enquanto dorme, ele se espreguiça tanto! Se encolhe todo, estica os bracinhos, os encolhe de novo e passa as mãozinhas no rosto, fazendo uns barulhinhos e uns biquinhos lindos.
Deus pra perceber que sou apaixonada por ele né? ^^
Mas infelizmente nem tudo são flores. A pouca cólica que ele tinha, suportável, se transformou num pesadelo. Ele passou a ter sempre que estava acordado - manhã, tarde, noite - e até altas horas da madrugada. E eu não adicionei nada na minha alimentação, desde que pari só como galinha cozida, peixe pescada, suco, muita fruta, muita água, nada de refrigerante, guloseimas, chocolate então... No início o luftal e o tylenol bebê davam contam, e depois passei a usar a bolsinha de gel que esquenta no microondas, e tudo foi sanando o problema. Mas chegamos a um momento que não deu jeito! Aí fiz uma coisa que eu disse que nunca ia fazer: dei chá pro menino. ¬¬
É, enfermeira, desde a faculdade aprendendo isso: "não precisa dar chá". Ah, precisa! Depois que você tenta tudo, você dá, porque quando seu neném berra até ficar rouco, e você se descabela junto, você só quer uma saída. E o pior - melhor - é que funciona, o tal chá de alfazema. Mas tem que ficar dando várias vezes ao dia: colocar um pouco de água pra ferver com uma pitada das folhas depois que começa a ferver, deixando até ficar amarelo mais forte. É coar e dar. Faço 50ml, ele toma uns 25 a 30ml (é dificil dar, ele não é acostumado a bico de mamadeira e o gosto é beeem diferente do leite), de 4h em 4h mais ou menos. É importante fazer e dar na hora, os chás perdem seus efeitos terapêuticos depois de cerca de 4hs. Tudo aprendido na sabedoria popular. Só que agora ele tá dificil de aceitar o chá, mesmo quando tá com fome - acho que já enjoou do gosto ( eu acho horrível mesmo).
Não concordo com chá, fique claro, e para as mães digo que tentem tudo antes de fazer isso. Na verdade só dei mesmo porque o plano de saúde dele ainda não tinha saído, pra ir logo no pediatra. Ainda prezo pelo aleitamento materno exclusivo - e só quebrei isso momentaneamente com chá, que não substitui em nada meu leite e não alterou a "dieta" dele.
Peço também que todas tenham muito cuidado com a dosagem, quantidade e com que chás estão dando a seus bebês. Não deixam de ser substancias que podem fazer mal: o de alfazema, por exemplo, em altas doses, pode causar sonolencia e até convulsões!
Agora vou procurar um pediatra pra ver se ele receita algo como buscopan, atroveram, ou a controversa funchicórea - mistura de ervas que, dizem, alivia na hora a dor, faz até a criança dormir, mas polêmica por dizerem que dopa a criança e contém açucar. Mas tem pediatra que receita na boa.
Só sei que no meio disso tudo percebi que estava rezando muito menos, na verdade, quase nada. Em plena quaresma! Porque um filho muda tudo, a rotina, dormir, sair, etc, mas isso não justifica... tenho é que arranjar tempo de falar com Deus pra, em primeiro lugar, pedir por aquele que é tudo que mais amamos nessa vida... peço que Ele me ajude a voltar para Ele, e a Nsa. Senhora, que me ajude a ser, como ela, uma boa mãe. amém!
Bom, breve, muito breve, mais informações. Porque mãe adoooora falar do filho.
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quarta-feira, 6 de abril de 2011
Ninguém avisa - coisas de mãe
Estrias, as famosas estrias, aparecem contra a nossa vontade, na maioria das vezes, independente se você se cuida ou não, e o pior, elas doem! Nossa, como doem!
Amamentar dói também! Parece que estão arrancando sua alma, no começo... e depois, dói se o bebê abocanhar errado o seio.
Bom, li muito sobre os sentimentos da mãe logo após o parto, de não ter amor imediato pelo filho, de ficar melancólica. Graças a Deus comigo foi o oposto de tudo isso: era a pura felicidade, é o amor que cresce a cada dia... a não ser quando amamento, às vezes, me sinto meio estranha, sei lá, tudo mudou! Mas até isso está passando, acho que estou me acostumando com a maravilhosa idéia de ter uma pessoinha que vale tudo na minha vida.
Ah, a relação com o marido muda totalmente... pra melhor! O amor multiplica muito, vejo que o amo muito mais agora - e eu pensava que o amaria menos, por causa do amor pelo neném -, e sinto que ele me ama muito mais também. Nos descobrimos pessoas diferentes, e ao contrário do senso comum de que algo esfria, de que o bebê atrapalha, estamos muito mais apaixonados, e quantas novidades surgem no relacionamento... é muita felicidade mesmo!
Um mundo totalmente novo se abre diante dos nossos olhos... ser mãe é muito mais do que o que todo mundo fala, é muito melhor, mais profundo, é... divino!
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terça-feira, 28 de dezembro de 2010
A gente cresce e esquece
E assim a gente esquece que, mesmo adultos, ainda encontramos pessoas que fazem pouco caso de nós;
que não dão valor a uma amizade;
na verdade, a gente acha que amizade se constrói apenas por afinidade, vapt-vupt, numa turma de pós-graduação.
Que pecado, esquecer coisas tão básicas do nosso convívio social!
Que alguns sorrisos juntos não selam uma amizade, muitas vezes nem mesmo respeito um pelo outro.
A admiração que você aprende a ter por alguém de repente cai no vão, pois você percebe não só os defeitos, mas o que você não significa pra essa pessoa.
De novo você, de repente, se sente com 8 anos de idade, quando achou que todo mundo resolveu não gostar de você, e você se sente péssimo.
Só que agora você entende que não é esse o caso: as outras pessoas é que não são capazes de respeitar e amar, apesar de qualquer coisa, que amizades tem estes preceitos por base, e que é demorado e até difícil construir uma.
O problema não está comigo - acho mesmo que está é com o mundo.
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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
O sono da mulher amada
Uma das melhores coisas da vida é observar a pessoa amada que dorme, entregue, para além dos pesadelos diários.
Como bem disse Antônio Maria, o grande cronista que aparece com ciúmes até da própria sombra no livro da Danuza, um homem e uma mulher jamais deveriam dormir ao mesmo tempo, embora invariavelmente juntos, para que não perdessem, um no outro, o primeiro carinho de que desperta.
Experimente você também, sensível leitora, ver o seu homem quando dorme. Há uma beleza nessa vigília que os tempos corridos de hoje não percebem.
Amar é… vê-lo(a) dormindo.
Cada mexidinha, cada gesto. O que sonha nesse exato momento? Tomara que seja comigo, você pensa, pois o amor também é egoísmo. Gaste pelo menos meia hora por semana nesse privilegiado observatório.
Psiuuuuu!
Ela dorme.
Mãozinha no ar, como se apanhasse pássaros, que coisa mais linda. Uns 23 minutos assim, mirei no rádio-relógio. A mão desce ao colchão, quase dormente, formigamentos. Coça o nariz. Põe a mãozinha direita entre as coxas.
Agora vira de lado, como os antigos LPs quando gastavam as seis músicas do A. E me abraça como nunca fosse partir, corpos viciados, almas em busca de um acerto.
Dorme, meu anjo.
Ela obedece.
Vigio o sono dela como um soldado zapatista. Como um cão zela o sangue do dono. Como se fosse um homem-exército e pronto.
Amar, no início era o verbo intransitivo da alemã professora de amor de Mario de Andrade. O idílio tem sobrevida, não como gênero, mas como vício, vício de amar. Amar de muito.
A mão desce agora sobre o meu peito, como se medisse meus batimentos. A mão direita volta para a arte de apanhar pássaros, que beleza, que diabos!
O ideal é que você, amiga leitora, durma do lado esquerdo da cama, o do coração, sempre. Mãozinha no ar catando pássaros. Até se acalmar de vez. Calmaria danada de horas, sem coreografias ou narrativas.
Sonha, sonha, sonha, minha menina.
Como é lindo a vigília ao sono dela.
Coça o nariz. Sussurra umas onomatopeiazinhas lindas de sonhos de besouros. Ela arruma os cabelos como algas, entorpeço num mergulho.
Observar o sono do(a) amado(a) é a melhor maneira de mapear a sua beleza. É a melhor maneira de conhecer o homem ou a mulher com quem dormimos.
E como são lindas aquelas marquinhas deixadas pelos lençóis no corpo dela. Um mapa de delírios! Melhor é lê-las como quem adivinha os sonhos e o futuro no fundo da xícara árabe ou nas cartas.
& Modinhs de fêmea
“A nudez da mulher é obra de Deus”. (William Blake)
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Filhos são um risco
Mais um enorme risco de se magoar, se ferir, se machucar, morrer por dentro quando pensa que algo aconteceu ao menino, ou se aconteceu mesmo.
Risco garantido de ter o coração saindo pela boca pelo menos 1 vez ao dia, de preocupação, certamente.
Certeza de que a pior coisa que pode acontecer no mundo é acontecer algo com aquela pessoinha, é receber um fragmento qualquer de notícia que traga coisa ruim e já perder o sentido e a razão das coisas - e também o juízo.
É que toda grande felicidade traz em si um grande risco - o de perder ou mudar.
Mas eu prefiro arriscar.
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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Pais e filhos
Todo mundo é pai ou filho de alguém.
E ver isso de fora faz parecer tão simples...
mas quando você começa a viver isso, não na condição de filho - dessa perspectiva também parece tudo simples - você percebe que é muito mais complexo e mais bonito do que simples.
Só de pensar que alguém (ou "alguéns") irá depender em tudo de você, que uma relação repleta de facetas irá se estabelecer, que ele irá parecer mais com um ou com o outro, e que emocionalmente você estará ligado àquele pequeno ser de uma maneira que você nunca imaginou...
Quando se reflete sobre isso, se percebe quantos milagres vemos todos os dias e tomamos como simples e comuns.
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sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Ser Mãe
"Nós estamos sentadas almoçando quando minha filha casualmente menciona que ela e seu marido estão pensando em 'começar uma família'.
Mas não foi nada disso que eu quis dizer. Eu olho para a minha filha,tentando decidir o que dizer a ela. Eu quero que ela saiba o que ela nunca vai aprender no curso de casais grávidos. Eu quero lhe dizer que as feridas físicas de dar à luz irão se curar, mas que tornar-se mãe deixará uma ferida emocional tão exposta que ela estará para sempre vulnerável.
Eu penso em alertá-la que ela nunca mais vai ler um jornal sem seperguntar 'E se tivesse sido o MEU filho?'
Olho para suas unhas com a manicure impecável, seu terno estiloso e penso que não importa o quão sofisticada ela seja, tornar-se mãe irá reduzí-la ao nível primitivo da ursa que protege seu filhote.
Que um grito urgente de 'Mãe!' fará com que ela derrube um suflê na sua melhor louça sem hesitar nem por um instante.
Ela vai ter que usar cada milímetro de sua disciplina para evitar sair correndo para casa, apenas para ter certeza de que o seu bebê está bem.
Eu quero que a minha filha saiba que decisões do dia a dia não mais serão rotina. Que a decisão de um menino de 5 anos de ir ao banheiro masculino ao invés do feminino no McDonald's se tornará um enorme dilema. Que ali mesmo, em meio às bandejas barulhentas e crianças gritando, questões de independência e gênero serão pensadas contra a possibilidade de que um molestador de crianças possa estar observando no banheiro.
Eu quero que ela saiba que a cicatriz de uma cesárea ou estrias se tornarão medalhas de honra.
O relacionamento de minha filha com seu marido irá mudar, mas não da forma como ela pensa.
O olhar de estranheza da minha filha me faz perceber que tenho lágrimas nos olhos.
(Desconheço o autor)
Tudo isso, e o resto que se diz sobre a maternidade, sobre ser mãe, pode parecer baboseira e piegas... parece mesmo. Eu só comecei a entender agora... e penso que é tudo muito verdadeiro, isso sim - e olha que não experimentei quase nada ainda de ser mãe - e que a maternidade é uma condição tão maravilhosa e divina, que é aquela que mais nos permite entender o amor de Deus por cada um de nós... começo a entender isso...
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segunda-feira, 25 de outubro de 2010
A mulher e a patroa.

Por Martha Medeiros
Há homens que têm patroa. Ela sempre está em casa quando ele chega do trabalho. O jantar é rapidamente servido a mesa. Ela recebe um apertão na bochecha. A patroa pode ser jovem e bonita, mas tem uma atitude subserviente, que lhe confere um certo ar robusto, como se fosse uma senhora de muitos anos atrás.
Há homens que têm mulher. uma mulher que está em casa a hora que pode, às vezes chega antes dele, às vezes depois. Sua casa não é sua jaula nem seu fogão é industrial. A mulher beija seu marido na boca quando o encontra no fim do dia e recebe dele o melhor dos abraços. A mulher pode ser robusta e até meio feia, mas sua independência lhe confere um ar de garota, regente de si mesma.
Há homens que tem patroa, e mesmo que ela tenha tido apenas um filho, ou um casal, parece que gerou uma ninhada, tanto as crianças lhe solicitam e ela lhes é devota. A patroa é uma santa, muito boa esposa e muito boa mae, tao boa que é assim que o marido a chama quando nao a chama de patroa: "mãezinha"
Há homens que têm mulher. Minha mulher, Suzana. Minha mulher,Cristina.Minha mulher, Tereza. Mulheres que têm nome, que só são chamadas de mãe pelos filhos, que não arrastam os pés pela casa nem confiscam o salário do marido, porque elas têm o dela. Não mandam nos caras, não obedecem os caras: convivem com eles.
Há homens que têm patroa. Vou ligar pra patroa. Vou perguntar pra patroa. vou buscar a patroa. É carinho, dizem. Às vezes, é deboche. Quase sempre é muito cafona.
Há homens que têm mulher. Vou ligar pra minha mulher. Vou perguntar pra minha mulher. Vou buscar minha mulher. Não há subordinação consentida ou disfarçada. Não há patrões nem empregados. Há algo sexy no ar.
Há homens que têm patroa. Há homens que têm mulher. E há mulheres que escolhem o que querem ser.
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Eu já escolhi o que quero ser, e como é bom!
Porque me realizo na minha profissão, e jamais irei desmerecer a dona-de-casa - que é diferente da patroa citada neste texto; ela também está em igualdade com o marido, pois escolheu para ela esta profissão - porque sou uma também! Porque nas minhas folgas é assim que me realizo, cuidando das minhas coisas, preparando o almoço (porque já passou o tempo de comida congelada), e assim, me sinto mais mulher.
Tenho uma amiga dona-de-casa que admiro muito, e nela me espelho pra tentar ser essa mulher.
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