"Para de cobrar das pessoas! Quem precisa de mudar é você!"

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Saber perder

Para pessoas cabeças-dura como eu, é muito difícil ser obediente.

Porque eu dificilmente desisto de algo. Comecei, só sei ir se for até o fim. E disso me orgulho em vários momentos da minha vida, pois colhi os frutos.
E muito disso aprendi no caminho, aprendi a ser mais forte, perseverante, e não desistir fácil dos meus objetivos.

Foi por não desistir que hoje meu matrimônio é lindo, e foi porque esgotei todas as possibilidades que estou hoje no mestrado, uma grande realização pra mim.

E fui convocando Deus para todas essas batalhas. As batalhas que perdi, eu atribuí à Sua vontade e fiquei em paz, principalmente porque depois eu percebi que ganhei muito mais lá na frente.

Mas é preciso muito saber perder. Que tamanha ganância a minha pra certas coisas! Outras não dei valor em vista do que já tinha, mas sempre, no resultado final, achei que foi vantagem pra mim, que saí ganhando.

Na situação que vivo hoje, sinto que fui injusta, gananciosa, quis abraçar o mundo com as pernas, e até fui muito desobediente.

Se tem algo que aprendi na minha caminhada cristã, foi a obediência. Disso eu sei bem, porque nesse âmbito de Igreja foi onde "perdi" a maioria das batalhas, e por ter de obedecer.

Ontem eu fiquei constrangida, tive vergonha de mim mesma, por ser cabeça dura. Tive vergonha porque estava na cara o tempo todo que eu deveria desistir de um curso pelo outro, que já era muito melhor, que já foi muito difícil de conseguir entrar, porque desistir já teria tornado minha vida mais fácil há meses.
Lembro claramente de algumas vezes ter dito que não desistiria mais por birra, pra não ser "imperfeita" e desistir.

Sim, há tanto valor em perseverar, mas acho que há mais valor em saber discernir quando parar. Há muito mais valor, para essa cabeça-dura aqui, em obedecer, abaixar a cabeça, perder, desistir, admitir.

Obedecer dói, mas nunca perdi nada de verdade quando obedeci.

Saber perder: muitas vezes liberta!




sábado, 27 de fevereiro de 2016

você tem que deixar pra lá

Vai ter um momento maduro na vida que entenderemos que não dá pra se ter tudo nela.
Tem certas coisas que você nem pode pedir mais: acabou sua cota com aquela pessoa, com aquela situação, e etc.
Não é duvidando da graça e do poder de Deus, não é isso. É só que nosso fim último é o céu, e ter tudo assim, aqui, acho que me faria perder esse foco. Prefiro ficar só com parte aqui, mesmo, pra não perder o todo.

Ah, mas e aí?
Aí muda de estratégia, sai de boca, esquece mesmo, é melhor. E você sabe que é maduro porque não se descabela.

Agora, se não chegou esse momento ainda, vai guentando aí. Mas uma hora precisa chegar.


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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Pessoas apaixonantes

Não sei dizer o que faz a diferença em uma pessoa apaixonante.
Mas conceituo esse tipo de gente como raríssimos, sendo aquele biotipo boa gente, simpatia pura, te faz rir sem perceber, parece que não tem defeitos, tem coração bom e, principalmente, possui uma facilidade enorme de ser querido, de fazer amizades e estabelecer vínculos positivos.

Só sei que de início você se apega, vive aquele momento, bebe daquela graça. E quer atenção, e cada retorno dessa relação te dá um nirvana.
Mas aquele ser atrai muita gente, e nem sempre você fica entre os escolhidos. Afinal, ele é um só e os apaixonados são muitos. Tem o momento que você sente até inveja: porque não sou perfeito assim? Porque não consigo ter essa luz?

Mas aí, se teu amor é verdadeiro, voce só esquece essa ideia mesquinha e agradece a grande oportunidade de ver esse reflexo de Deus, de viver um pouquinho nessa luz.
Não deixa de ficar desejoso de mergulhar mais, de ter mais desse pedaço de céu, mas lembra que não pode-se ter tudo na vida!!!

Amar assim dói um pouquinho. 😊
Mas vale a pena!

[Post dedicado.]

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Organização

Parece coisa de neurótica, mas sinto plenitude de Deus em ver minha vida um pouco mais organizada.
Tenho lido alguns escritos de comunidades católicas que falam muito em "ordenar as coisas para Deus", e hoje, depois de muito apanhar de mim mesma, da falta de organização, da frustração, do cansaço, eu percebo que consegui chegar a algum lugar, e o que significa isso.

O filho mais novo começou escola essa semana, e tudo se encaixou: temos hora certa de acordar, temos cronometrado o banho, café, lanche, temos muitas coisas que já deixamos organizadas na noite anterior; temos todos os eletrodomésticos que podemos ter e que nos ajudam em tudo nas tarefas de casa. A última aquisição foi um ferro de gomar roupa, não o mais caro, mas também não tão inútil, tem vapor e tudo, e esse pequeno investimento já fez diferença ontem quando meu marido sensacional conseguiu gomar roupa bem mais rápido.

Passamos da fase de cansaço extremo, parece até que fomos criados em berço de ouro, porque tudo nos cansava. Agora estamos conscientes que ser pai e mãe, ser família, não é fácil, cansa muito!
Mas é tão gostoso, é tão maravilhoso! E nossos filhos são nossa missão.

Chega de gritos descontrolados, chega de praguejar (mesmo que internamente) a malcriação dos filhos; na verdade, são crianças, e a maioria dos seus comportamentos é natural!

A gente aperta durante a semana, faz as coisas de casa, aprendemos a ser mais rápidos até, para curtir bem os dias de folga!
Eu procurei uma diarista, e depois de muitas decepções e até ter pago indenização para uma que me processou, eu acho que não é mesmo vontade de Deus eu ter alguém para ajudar na limpeza da casa. E sabe que deve ser mesmo vontade de Deus que eu não tenha, pois isso nos uniu muito mais como família, nos mostra o valor do trabalho, nos ensina humildade, valor das recompensas, e que só vale mesmo aquilo que a gente vive com intensidade, mesmo que seja limpar uma casa, lavar uma louça ou gomar uma roupa.

Ordenar as coisas para Deus é descobrir como Ele nos ensina a viver nossa vida do jeito certo.
Deixa de "bater cabeça" e insistir naquilo que está distante ou não é pra você: descobre o melhor de Deus naquilo que você já tem , muda a perspectiva das situações, seja forte pra deixar pra trás pessoas negativas, situações negativas, e lute também por aquilo que você sente que é mesmo pra você. Como a gente descobre o que fazer em cada situação? É isso que significa "viver segundo o Espírito Santo". Parece complexo, mas não é!


Trecho da Homilia de hoje:
"É muito importante que os nossos filhos, assim como Jesus, cresçam e se fortaleçam na sabedoria e na graça de Deus. Para crescer em sabedoria, fortaleza e graça, é preciso estar, todos os dias, na presença do Senhor. Você quer consagrar sua casa, seus filhos a Deus? Em primeiro lugar, tenham o costume de orar juntos. Desde pequenos, acostume seus filhos à oração. Que não seja uma oração pesada, enfadonha, mas sim um momento abençoado, único.
Você quer consagrar sua família a Deus? Que ela se lembre, pelo menos, de rezar em torno da mesa. Quantas vezes os nossos comem de qualquer jeito, não fazem sequer o sinal da cruz. Se nós queremos famílias abençoadas e consagradas, precisamos fazer da entrega e consagração um ato constante em nossa vida.
Precisamos trazer Deus para dentro de nossa casa. Sabe pai, sabe mãe, criar filhos, nos dias de hoje, não é fácil. Talvez seja a tarefa mais difícil da humanidade, mais difícil até que encontrar a cura para tantas doenças. Não é uma tarefa impossível, mas se com Deus já é difícil, sem Ele é praticamente impossível.
Entreguemos nossos filhos aos cuidados do Senhor!" (Pe. Roger Araújo - Canção Nova)

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Seja realista

Sim, seja realista!

Após pensar e repensar sobre certos temas, eu concluo: que coisa inútil!
Acho que a gente perde tempo demais em pequenas coisas, em coisas que não podemos resolver; perdemos tempo imaginando mundos que não fazendo parte, e pior: mundos que não precisamos querer.


A velha máxima de olhar pro gramado alheio, pra fora da janela, e etc. Tem tanta coisa aqui dentro. Tem tanto presente do nosso lado! Há uma enxurrada de coisas que você almejava, desejava com todas as forças até certo tempo atrás, e agora que conseguiu, nem nota.

"Toma vergonha na cara!", eu disse pra mim mesma hoje cedo. Pára de tomar pra si a história dos outros, do filme, da novela, pára de mendigar amor de quem você não precisa.
Quando paramos e analisamos a fundo certas coisas, a gente percebe como é vão, sem sentido. Caprichos do nosso querer, ou, se você olhar bem, lacunas da nossa alma, falta de cura interior, deficiência na oração.

Hoje eu me enxerguei e disse: chega de mimimimi.
Bam: arquivei aquela conversa de whatsapp, fechei a janela do facebook, foquei no estudo para a prova tão próxima que eu preciso passar.
Pensar nos toma muito tempo, nos distrai e nos enlouquece, às vezes.



Então, vamos eliminar o supérfluo, que é tudo aquilo que neste momento não me acrescenta, mas me exclui, e vamos olhar primeiro para o essencial: Deus.

Vou ali contar tudo pra Ele.


domingo, 29 de novembro de 2015

Descompensada


Nós da área da saúde utilizamos muito esse termo "descompensado" quando queremos nos referir a um paciente que está com alterações em todo o seu organismo. Queremos dizer que há várias coisas em desarranjo naquele cliente, uma levando a outra num ciclo vicioso, e nem sabemos ao certo o que iniciou aquilo tudo.

Eu estava assim. Numa rotina intensa, saindo de um trabalho para o outro, meus alunos em reta final de monografia e eu sentindo toda a dependência deles e responsabilidade de orientar pesando sobre mim, e o velho quadro de ver a casa bagunçada - e justamente isso traduzindo a minha vida.

A oração permaneceu até constante em meio ao caos, coisa que logo sumia quando eu passava por isso antes, mas o que me incomodou foi meu estado de alma assim, descompensado, todo dia acordando cansada, já pela rotina que ainda estava por vir, e mesmo tendo um dia de descanso, isso não me recuperava, e eu continuava desmotivada, numa espiral para baixo. Reclamando de tudo, sofrendo em tudo, a TPM veio e foi embora, mas aqueles traços negativos não. Ressurgiram dúvidas que eu já havia sanado, e medo também veio me assombrar.

E me perguntei por quê não me equilibrei de novo! E aí me diagnostiquei descompensada, pois se não conseguia ver o que estava gerando aquilo, até porque talvez era uma série de fatores, eu precisava quebrar aquele ciclo onde quer que fosse.

Então, quebre o ciclo. Pense positivo, leia a bíblia, reze mais intensamente, espere o amanhecer, decida que vai viver melhor, e vai fazendo tudo diferente. E então, tudo vai aos poucos se encaixando, aquele coração que já estava atordoado de tanta coisa vai relaxando, entregando a Deus aquilo que nem bem sabe.

Deus é a chave do nosso equilíbrio, e O alcançamos quando rezamos, quando buscamos, quando lemos a bíblia.

Ainda não estou equilibrada, mas estou consciente, ativa, lutando para ficar saudável novamente.

Deus nos compensa e ainda recompensa!
TENHO FÉ!! :)

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Distração

Se não mantivermos o foco, facilmente nos distraímos.
O mundo tem todo tipo de chamariz, e a cada estação estamos preocupados com algo.
Fazemos um propósito, iniciamos a seguir, porém logo interrompemos e não temos perseverança, muito menos a vaga lembrança.

Em momentos de claridade na vida, percebemos o que é verdadeiro, real e importante:  Deus, a oração, família, amigos, trabalho, crescer, dedicação. Pode ser que nem tudo faça sentido nesse elenco, então vou exemplificar.

Deus é nossa primazia, nosso foco principal, e "tudo nos vem em acréscimo" (Mt 6, 33). É muito comum num momento de oração forte, num retiro, termos um encontro e sentir que Ele é o principal de nossa vida, e aí nos comprometemos a orar mais e com constância, a rezar o terço, ler a bíblia, ir à missa e etc. Creio que esse é o caso de distração mais comum, passo a vida inteira lutando com isso, uma coisinha de cada vez. No momento, já alcancei constância em várias coisas, mas ainda falta muito. É bom que sempre falte! Se convença de que nunca estará "à altura de Deus", que Ele entende isso, e que a tua vida é uma constante ida rumo ao Seu encontro. 

Com a caminhada na igreja, percebemos que precisamos nos voltar para a nossa família, que eles são importantes, que precisamos evangelizá-los e que muitas vezes somos a única ponte com Deus que terão. [Espero que todos na caminhada já tenham percebido isso!!] E aí nos dedicamos mais, começamos a amar todo mundo, até as primeiras discussões e desentendimentos novamente. E você precisa voltar-se para a misericórdia de Deus, para olhar como Ele e perceber que todos somos humanos, e que somos amados pelo Pai além de nossos defeitos. Precisa perseverar.

Os amigos entram na mesma jogada, aqueles que são de infância, os novatos, todo mundo que precisa de você e de Deus você tá abraçando, amando, suportando e rezando. Até que você se sente estepe, bobo, jogado, fraco, e quer mandar todo mundo se catar e viver sozinho. Menos mimimi e mais confiança em Deus. "Maldito o homem que confia em outro homem, e aparta seu coração do Senhor" (Jr 17, 5)

Mas e o trabalho? O trabalho é dignidade do homem, e Deus deseja que sejamos bons no que fazemos, que façamos para os outros como se fizéssemos para Ele. Pena que as vezes vem uns desavisados - até mesmo religiosos - que não entendem isso, e descrevem o trabalho como menosprezo para o homem "você vai para o trabalho, vende 8h do seu dia pro seu patrão, e chega em casa de saco cheio" (prefiro não referenciar a frase). E você se distrai com os colegas que não trabalham bem, com o chefe injusto, com o sistema público desonesto. Mas não se distraia: você é luz, você tem Deus. 

Crescer é avançar onde você estiver, é desejar mais sim, mas nunca fora de Deus. É não se distrair com um crescimento desordenado, mas não se distrair com as coisinhas por aí que te impedem de crescer. Pode ser financeiramente, espiritualmente, academicamente, pessoalmente. Isso é uma implicação ruim em todos os aspectos de nossa vida. "Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morre, produz muito fruto." (Jo 12, 24)

É preciso enraizar. E para isso, é preciso identificar o que está nos roubando de Deus. O que tem tomado tanto o meu tempo, consumido minha atenção? Só tomando consciência disso, poderemos voltar ao Pai, e então, retomar. Sem "auto-julgamento demais", muito menos "auto-piedade". Realista, ciente de suas limitações, mas com toda a esperança do mundo, porque cremos na misericórdia de Deus.E então, reiniciar a intimidade, a proximidade com Deus.

Então, vamos aos fatos. É o celular que distrai você? Ficamos vidrados na tela mesmo estando numa roda de amigos, na mesa do jantar de família... ou ele te impede de estudar, rezar. Faça um comparativo: pra rezar o terço tarde da noite, porque chegou cansado, você dorme, ou dá preguiça, mas fica até tarde da noite nas redes sociais. Você esquece de ler a liturgia diária, mesmo já existindo vários aplicativos pra isso, mas não está desatualizado do facebook.
Talvez já fomos vacinados para a escravidão do celular. Mas e as séries? O tal do netflix? Vira vício.

E você vê escapar entre os dedos aquela prova, não alcançou a nota, porque você se distraiu demais! Deixou de chamar pessoas importantes no whatsapp, ou melhor, ligar, porque se perdeu nos grupos e vídeos. As vezes você esquece tarefas importantes, e quando pensa pra onde foi seu cérebro, lembra que ele andou o dia ansioso rindo de bobagens na internet.

Quanta falta faz as pessoas se verem sem os celulares na mão, contar coisas olhando no olho, desejar a companhia física.
Vamos voltar ao arcaico, ao mano a mano, porque na época de Jesus Ele falava na cara, ele sabia ler não só pensamento, mas o olhar, o gesto. Será que sabemos "ler" as pessoas como tínhamos a capacidade de fazer?
Sinto sufocante a ditadura de estar automaticamente abrindo o face toda hora, o instagram, o whatsapp. Quero a liberdade, não estar presa a nada.

Proponha-se um desafio: uma vez por dia, ou nada disso, enquanto estiver para alcançar uma meta.
Seja diferente. Leia um livro, faça palavras cruzadas - mas não se vicie em nada. Quebre os paradigmas e fuja da alienação, tão útil para nos manter "não-pensantes" e longe, longe dos pensamentos de Deus.
Eu começo agora.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Status

O caminho da vida passa pelo status. 
Status é o lugar onde você se encontra agora, quem você é perante a sociedade e principalmente, como a sociedade te classifica. 
Status é aparência, são as posses, pode ser um cargo ou até mesmo a relação com outra pessoa. 

Conscientes ou não, todos temos um status. O que toca é a importância que damos a ele. 

É importante dizer que todo meio social tem status. E dependendo do meio, pode parecer que não é idolatria de status, mas é. 

A santidade pode se configurar como um status. Parece loucura dizer isso, mas é a verdade. Como a busca pela santidade é algo bom, pode parecer uma insanidade a minha afirmação. Mas afirmo porque eu mesma já tive a santidade como status, como orgulho e como merecimento.

Santidade como mero status é quanto você vai à missa todos os dias para bater no peito e dizer que vai à missa todos os dias. E ainda corre o risco de ser status mesmo se você decidir que não vai dizer para ninguém: quando você se vangloria para você mesmo porque vai à missa todos os dias, que isso te faz melhor que alguém ou te dá a certeza do céu. 
Quando você faz caridade e posta a foto na rede social, tipo assim, selfie com a pobreza/retiro/adorando/etc. Você não está divulgando o serviço, chamando outros para aquela vocação; você está se promovendo. Divulgar um serviço é tirar a foto só daquilo, sem você como personagem principal, é telefonar pedindo, é boca a boca ("amigo, você pode me dar uma ajuda para isso? vamos lá naquele momento para ajudar"), é escrever no status do face (sem foto) e deixar contato pra alguém realmente te encontrar.  

Desculpem, mas a linha é tênue mesmo. Você deve sempre se perguntar porquê esta fazendo aquilo. E isso é cura interior contínua. Corremos o risco de ficarmos mornos, enganados por nós mesmos sobre os motivos reais de estar numa caminhada, numa missão, de viver para Deus. E isso é perigoso, infrutífero, interrompe nossa escada ao céu.

Naquele tempo, 38Jesus dizia, no seu ensinamento a uma grande multidão: “Tomai cuidado com os doutores da Lei! Eles gostam de andar com roupas vistosas, de ser cumprimentados nas praças públicas; 39gostam das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos melhores lugares nos banquetes. 40Eles devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Por isso eles receberão a pior condenação”. (Mc 12, 38-40)

Será que de vez em quando não queremos também os primeiros lugares na igreja, não nos vestimos até de modo bem simples, mas para mostrar que somos mais santos? Infelizmente, sim. Creio que todos já passamos por esse momento da vida, aquele em que você se orgulha pelo que mostra, pelo que parece, mas a grande maioria das pessoas não pára para refletir sobre isso.
E por que isso acontece? Por que todos temos no coração o desejo profundo de sermos amados. E quando desviamos esse desejo do único que pode realizá-lo - o amor de Deus -, vamos nos trocando por qualquer coisinha assim. Só que, por estar dentro da Igreja, achamos que estamos imunes, que já estamos no lugar certo. E aí acontecem as brigas, desentendimentos, por causa de posições, cargos, idéias, acontecem as desistências"porque ninguém ligava pra mim, porque fulano me tratou mal". Tudo isso é fruto da nossa falta de maturidade, e que Deus coloque sempre em nosso caminho as pessoas mais maduras, com mais discernimento, para nos indicar a verdade dos nossos atos, e os fatos.

Outra coisa que desmascara isso é o Evangelho. Fazer da nossa vida a vivência do Evangelho é trazer para hoje tudo aquilo que os apóstolos e todos os que se encontraram com Jesus viveram. Olhando para os discípulos disputando a direita e esquerda de Jesus, perguntando quem era o maior, entre tantos outros momentos, percebemos que somos exatamente iguais a eles, e que, se eles foram como nós, nós temos jeito! Jesus sempre ensina o caminho da cura, o caminho de ser amado, a solução para aquilo que não nos faz crescer, mas nos deixa estacionados no mesmo lugar.  

Então, fiquemos de olhos abertos para o que é essencial, para o que é mais importante. Status não é o que de verdade eu sou, só Deus conhece nosso coração. Devo ter uma conduta que testemunhe aos irmãos, que arraste, que converta, mas muitas coisas acontecem sem que isso precise ser propagado. Não esqueçamos que A ORAÇÃO CONVERTE, TRANSFORMA, AGE; superestimamos nossas forças, capacidades, e esquecemos de entregar tudo para Deus.


Não quero ser temerária demais, nem criticar a busca pela santidade, os bons costumes, as obras de misericórdia. Busquemos sempre isso, mas não esqueçamos de amar, de acolher, de nos importar com o que realmente importa: amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo!

Que eu sempre seja sensível a perceber o objetivo da minha vida, e não me perder nas coisas que passam, nos detalhes, no que as pessoas acham de mim. Que eu me preocupe com o essencial e me baste no grande, infinito amor de Deus!

"Somos servos inúteis, fizemos o que devíamos fazer" (Lc 17, 10) 

E graças, graças a Deus por isso!


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Expectante

Muito já escrevi sobre ESPERA aqui no blog.

Sempre estaremos à espera de algo. Porém, o modo como se espera é que vai mudando, amadurecendo.
A geração imediatista da qual fazemos parte é totalmente contrária ao conceito de "cada coisa a seu tempo", mas o agir de Deus não é assim.

Várias foram as vezes que me descabelei, me revoltei, não entendi. Mas hoje eu consigo olhar para a situação lá na frente e esperar. E o nome disso é fé, como diz a Palavra de Deus: "a certeza daquilo que não se vê" (Hb 11, 1).

Então, o que nos resta é, primeiro, acalmar o coração para ouvir de Deus o que esperar. E então fixar o olhar nessa promessa, até o dia que estivermos prontos para recebê-la.

Fé!
Olho para frente,


sexta-feira, 17 de abril de 2015

Não sou estepe

Chegou o tempo em que eu passei a olhar para o mundo ao meu redor, mais especificamente para as pessoas, e comecei a me importar de verdade. 
A procurar os amigos, a responder às solicitações, a me preocupar de verdade. 
No começo eu fazia isso de modo tão altruísta, solidário, não buscava muito em troca porque todo aquele relacionamento era novidade pra mim. 
Mas chegou um tempo em que também passei a precisar. 
Preciso ser respondida, ser amada, preciso que meu amigo tenha um mínimo de constância, que minha amiga me responda além de monossilabos, que se preocupem em também me perguntar como estou, e não só despejar os problemas. 
E numa dessas "crises", isso dói, e estou me sentindo um estepe velho que é necessário apenas nas emergências, e olhe lá. 
O que me mata mais é a falta de maturidade. São os dois anos de amizade que parecem dois dias, porque o outro não é capaz de abrir o jogo pra você. Porque veio alguém de fora e falou mal de você e seu amigo acreditou. 
Já vi esse filme. 
Como dói! 

Lembro que eu estava muito bem acomodada no meu isolamento social e egoísmo. 
Mas não me arrependo de todas as coisas boas que passei. 

Faz-me forte Senhor!